segunda-feira, 16 de junho de 2014

Quando o gostar não chega

Ele não sabia, mas escolheu um dos meus locais peferidos em toda a Invicta para me dar um beijo. O primeiro. Naquela altura, com um desenrolar de aconteciments negativos a acontecerem na minha vida,  resisti com todas as minhas forças à estranha e forte ligação que senti. Não queria confundir as coisas e uma coisa boa no meio de tantas más, facilmente ganharia proporções fantásticas... e já se sabe que o fantástico e eu não combinamos lá muito bem.

Mas as coisas foram acontecendo, a ligação estreitou-se e não sei precisar no tempo, mas a verdade é que me apaixonei. Não havia dúvidas, não estava a misturar nada.. Estava apaixonada e com medo! Não queria voltar a sofrer, mas já não podia resistir ao que sentia.

Tinha chegado o momento "daquela" conversa. Ambos concordamos que era uma conversa necessária porque as coisas não podiam continuar como estavam. Preparei-me para não ser correspondida, mas aconteceu precisamente o contrário. Iamos tentar uma relação à distância nos primeiros tempos, até eu conseguir arranjar trabalho a sul. Tranquei os meus medos e os meus fantasmas num cantinho da minha cabeça. Já não havia razões para dar ouvidos àquela vozinha chata que teimava em dizer-me para me preparar para o pior. Calei essa voz e permite-me sonhar, permite-me fazer planos para o futuro, por mim, por ele.. Por um nós que ambos acreditavamos ser possivel.

Duas semanas depois dessa conversa, um fim de semana juntos. Entusiasmada, preparei a viagem e contei os dias para rumar a sul. No dia da viagem o primeiro sinal que havia algo de errado: temos de falar novamente. Durante as três horas de viagem, tentei antecipar cenários, e se uma parte de mim sentia que iamos resolver oque quer que aquilo fosse, a outra sentia que ia correr mal. E correu. Há duas semanas atrás deixou-se levar pelo momento mas agora já não estava seguro da decisão; a distância iria ser sempre um entrave porque dificultava as coisas e a convivência diária era muito importante. Para baralhar mais esta equação, há uma outra pessoa com quem ele contacta diariamente e como tal seria tudo bem mais fácil.  Fiquei sem chão. Se tivesse ouvido a vozinha na minha cabeça provavelmente aguentaria o golpe. Não aguentei, fui abaixo e chorei tentando com lágrimas expurgar todos os meus males.

Foi a conversa mais dificil que tive. Eu sei o que quero. Quero isto, quero-o a ele, com todas as dificuldades que isso acarreta. Ele não sabe o que quer. Eu quero tentar a sério e se depois chegarmos à conclusao que não dá, pois que seja, mas depois de tentarmos. Ele tem medo de tentar a sério e magoar-me mais. Eu quero tudo ou nada, já não dá para voltarmos ao que éramos antes de assumirmos o que sentiamos. Acabou. Acabou com lágrimas de ambas as partes, acabou com a certeza de que gostamos muito um do outro.. Mas gostar não chega!

E eu sei que acabou mesmo.. Não vai pensar melhor e voltar atrás porque é mais fácil seguir o caminho mais fácil, é mais fácil estar com alguém que está ali perto do que investir em alguém que dá trabalho. E está aí o verão, o calor, as noitadas, os copos.. e eu vou estar longe! E gostar não chega...

28 comentários:

  1. Se estivesses à minha beira dar-te-ia um abraço... para não ter que usar qualquer palavra.

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  2. Que raio de pontaria a tua, caraças!

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  3. "Ele não sabe o que quer"
    "há uma outra pessoa com quem ele contacta diariamente e como tal seria tudo bem mais fácil"
    "a certeza de que gostamos muito um do outro"
    "é mais fácil seguir o caminho mais fácil, é mais fácil estar com alguém que está ali perto do que investir em alguém que dá trabalho."

    Tens a certeza que esta era a pessoa certa para ti?!
    Não te quero magoar, mas não me parece.

    Espero sinceramente que recuperes!



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    1. Eu vou recuperar, eu sei que sim!! Não me contento com migalhas.. migalhas dão-se aos pombos!

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    2. Concordo com a Suri, Neverzinha....
      Abraço grande e beijinho do tamanho do mundo...

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  4. Nem imaginas como te compreendo, mais do que alguma vez poderei escrever aqui.
    Tive essa mesma história e sou uma portuense a viver em Lisboa, pelos mesmos motivos. Tive um final feliz mas com muitas lágrimas também.
    Beijinhos e muita força***

    http://saladosilenciocorderosa.blogspot.pt

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    1. Eu não tenho o final feliz.. Mas fico feliz por tu teres tido o teu, de coração :)

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  5. Acho bem que queiras tudo!Haja alguma determinação no querer...Os homens são uns cagões...

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    1. Migalhas dão-se aos pombos... Se eu não valho a pena nenhum esforço, então tá tudo dito!!

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    2. Pois...Eu também penso assim mas é triste essa inércia das pessoas.Não se esforçam para nada...E nem reparam o muito que estão a perder.O pior é que condicionam o nosso querer!Beijinho*

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  6. Tenho três exemplos à minha volta de relações bem sucedidas que começaram à distância.

    É certo que cada caso é um caso, mas acho que a incompatibilidade geográfica jamais poderá ser, por si só, a justificação.

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    1. Concordo! Até porque eu andava à procura de trabalho em lx precisamente para colmatar essa distância! E pelos vistos até isso serviu para aumentar as dúvidas.. E eu cheias de certezas!

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  7. Força....é porque não tinha de ser! Há-de aparecer o tal, acredita ;)

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  8. Eu acho que houve alguém que errou muito. E redondamente.

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  9. oh amiga ha mais peixe no mar. e colorido. deixa lá essa essa pixa mole e segue em frente! eu sei que é
    fácil de falar e difícil de fazer mas pega nas chaves do carro e vai às compras ou comer chocolates!

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  10. Bem, tu já me conheces, sou bruta, ponto final. Por isso mesmo não posso deixar de te dizer o que penso sem grandes rodeios.
    Não entendo muito dessas coisas e não conheço a história, a não ser o que aqui relataste. Mas, quanto a mim, gostar chega sim senhor. Se o gajo gostasse mesmo de ti não andava com os olhos noutra. Se o gajo gostasse mesmo de ti estava-se a marimbar para a distância (até porque estavas a tentar aproximar-te, nunca lhe disseste que teriam de continuar a relação à distância).
    Resumindo: caga para o gajo que ele não te merece. Não ponhas paninhos quentes a tentar desculpá-lo. Isso só irá fazer com que seja mais difícil para ti seguir em frente.

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    1. Tens razão, eu sabia que a distância tinha de ser colmatada e por isso mesmo estava disposta a mudar-me, já andava a responder a anúncios a sul e tudo! e ele sabia disso.. enfim! seguir em frente de cabeça levantada...

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    2. É pá, eu não ando mesmo bem, de certezinha... Então não é que, ao ler a tua resposta e, mais propriamente, as últimas palavras, só me apeteceu acrescentar: o problema dele talvez fosse esse mesmo, não conseguir levantá-la... a cabeça.
      Logo eu que não sou de dizer/pensar/whatever tais coisas... :I

      ;p

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