segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Vamos falar de amor

Puxa de um cigarro e segura-o nos dedos. Passa largos minutos a brincar com ele, a sentir-lhe a textura por entre os dedos até que o acende e, demoradamente, fuma aquele cigarro com um olhar triste e melancólico. Diz que sentir o sabor do tabaco fá-la sentir o gosto do beijo dele e que essa é a única razão que a leva a fumar um cigarro de vez em quando. Não é viciada em tabaco, é viciada nele e é quando a saudade aperta que puxa de um cigarro e se deixa levar por aquele cheiro e por aquele sabor tão familiares...
Quando fala dele os olhos brilham e a cara ilumina-se! Conta histórias do passado, histórias com mais de quinze anos de um namoro que começou as escondidas mas que acabou em casamento. Diz que não conseguia imaginar a vida dela, e a dos filhos, sem ele e que por isso o perdoou depois de descobrir a traição. Não esconde o quanto lhe custou ultrapassar aquela altura difícil, mas acrescenta que o amor vence tudo e que foi isso que fizeram: venceram tudo, juntos. Mas até quando fala dos momentos menos bons tem um brilho diferente no olhar. Falar dele fá-la senti-lo mais perto, como se estivesse sentado à mesa do café connosco e essa presença, ainda que fugaz, fá-la sentir-se bem. Tudo o que ela queria era tê-lo ali ao lado dela, como estiveram tantas noites ali sentados naquela café em frente para o mar. Não chora, mas a tristeza sente-se na voz e no olhar. Diz que agora é tudo novo para ela, ele foi o primeiro e o único homem da vida dela e agora tem todo um novo mundo para descobrir, mas o plano não era esse;  o plano era ver os filhos crescidos e depois terem tempo um para o outro e para descobrir tudo o que fosse para descobrir, mas juntos. Desde Janeiro que um vazio enorme lhe cresce no peito, desde Janeiro que não ouve a voz dele nem sente o seu toque. Desde Janeiro que não sabe como tem aguentado a morte dele...



Nunca sei o que dizer quando a ouço falar dele, mas a intensidade do amor dela é tal que dou por mim a acreditar que ainda há amores que valem a pena. Ela tem 36 anos, tem muitos anos pela frente, mas nunca irá esquecer os anos que já passaram.




15 comentários:

  1. espera lá!!! que é que se passa aqui que não estou a apanhar?!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Calma. Não tou apaixonada!
      é a história de uma pessoa amiga que ficou viúva em janeiro deste ano..

      Eliminar
  2. Não consigo (ou não quero) imaginar a vida de alguém que perde o amor da sua vida.
    Não deve ser fácil percorrer sozinho um caminho que foi projetado a dois.
    Dizem que a vida continua, mas será que continua mesmo? :(

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu tenho acompanhado esta história e às vezes acho que ela não está a viver.. vai sobrevivendo!

      Eliminar
    2. Subscrevo cada palavra do JS :(

      Eliminar
  3. Há pessoas que realmente nos marcam! De uma forma bastante positiva e maravilhosa! :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. E são essas pessoas que iremos lembrar sempre, mesmo que a vida se encarregue de as levar para longe :)

      Eliminar
  4. Nem tem porque se esquecer.
    Foi o que viveu e o que construiu que a tornou o que é hoje.
    Agora é «empurrar» a vida para a frente.

    Beijo,
    Ana

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Concordo contigo! é uma parte importante da vida dela que nunca será esquecida.. tem é de aprnder a lidar com a ausência..

      Eliminar
  5. É tao triste. A vida é mesmo injusta para algumas pessoas.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. e no meio de tanta injustiça ela consegue rir com vontade :)

      Eliminar
  6. É tão triste. A vida é tão injusto que às vezes até temos medo de ser felizes não vá alguma coisa estragar essa felicidade :(

    ResponderEliminar