segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Eu sei que não devia ouvir conversas alheias...

... mas que culpa tenho eu de estar sossegada a tomar o meu cafézinho e as duas senhoras falarem alto demais? Eu bem que estranhei o senhor do café dizer-me "ainda bem que chegou", mas não percebi bem porque raio é que ele estaria com saudades minhas... Até que ouço uma senhora dizer "ela devia pensar em estudar, não em sexo" e vejo o senhor do café a revirar os olhos. A conversa sobre a vida sexual da neta da senhora continuou, comigo e com o senhor do café num silêncio comprometedor, até que a outra senhora diz a bela frase "no meu tempo não era nada assim" e eu não contive um sorriso.
E aí a conversa já foi comigo:
- Ri-se porque é nova, não sabe o que era a vida naquele tempo!
Ao que eu respondo:
- Rio-me porque no seu tempo toda a gente namorava à janela mas depois de uns quantos meses as barrigas cresciam.




Diz que é uma espécie de pressão

Eu não quero ser má língua nem apontar o dedo a ninguém, mas ter um candidato à junta de freguesia da santa terrinha à porta do local de voto com uma cara de meter medo ao susto.. é pressão!
Aquilo foi coisinha para assustar as velhinhas lá da aldeia que passavam por ele e diziam boa tarde - e como são educadas as velhinhas que repetiam o cumprimento por pensarem que ele não as tinha ouvido à primeira - e ele nem sequer abria a boca. Ficava ali, de pé, estático à porta do edifício da junta. Estive mais de meia hora a apreciar o cenário - enquanto esperava que a minha avó votasse - e juro que o raio do gajo não abriu a boca a ninguém. Se lhe pintassem a cara de branco passava perfeitamente por um daqueles mimos.
E a verdade é que, soube-o hoje de manhã, lá ganhou as eleições. Isto de assustar as velhinhas resulta...

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Esclareçam-me...

... Roupa e sapatos podem ir ao microondas?

Está decidido: Amanhã vou comprar botas!

Estou neste preciso momento de pézinhos ao léu enquanto as sabrinas estão a secar. Já devia saber que os chuviscos que caíam quando me estava a preparar para sair de casa se iriam transformar em chuva da grossa mal metesse os pézinhos fora da porta. Pensei em calçar as galochas mas não consigo andar de sandálias num dia e no outro calçar as galochas pesadas e invernais.. Preciso de um período de adaptação. O outro par de botas está no sapateiro para arranjar e por isso as sabrinas foram a última opção, e a opçao mais errada diga-se. Chovia tanto que as calças estão molhadas até ao rabo, o casaco pinga nas mangas e só não molhei a cara porque quase dava beijos ao guarda-chuva.. Tenho para mim que vai ser um longe e gelado dia....

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Que se me dá um nervoso!

O gajo até era bem parecido, até era mais alto do que eu e até tinha o seu "je ne sais quoi" de interessante...
Mas, e há sempre um mas, vê-lo estacionar ao meu lado e a bater com a porta do carro dele na porta do meu carro obrigou-me a catalogá-lo automaticamente de ENERGÚMENO. Saí do carro, fui ao outro lado ver a porta e lá estava a pequena marquinha branca na pintura preta. Olhei para ele e ele, já fora do carro também, nem sequer abriu a boca o CAMELO.
"Nem sequer vai pedir desculpa?", pergunto eu; ao que ele responde "Tocou na porta? Desculpe!", o ANIMAL.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Estarei mesmo a ficar senil?

Depois do esquecimento da roupa interior, hoje tentei ligar os phones ao passe do metro.
Tenho um ritual mal todas as manhãs: sentar-me o mais perto da porta possível (porque depois aquilo enche e é uma chatice ter de abalroar pessoas para conseguir sair) e depois de acomodada ouvir música. Hoje sentei-me, tirei os phones do bolsinho da mala e em vez de pegar no telemóvel peguei no passe do metro. Quando me apercebi da figura que estava a fazer, ri-me pois claro! Que mais posso eu fazer?

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Como é que uma pessoa se esquece da roupa interior?

Segunda feira à noite é sinónimo de aula de hidroginástica. Lá vou eu toda empenhada em não faltar a nenhuma aula e em dar o meu melhor dentro de água, ao mesmo tempo que luto pela sobrevivência dentro da piscina e vou dando umas "pézadas" às gajas que ainda não perceberam que tenho as pernas grandes e se as esticar como deve ser acabo sempre por acertar em alguém... Adiante!
No fim da aula é que a coisa  ficou estranha. Saio do chuveiro, limpo-me bem limpinha e passo o creminho hidratante. E eis senão quando vou para vestir as cuecas e não as encontro. Procuro bem dentro do saco, em todos os bolsinhos e nada! Nem rasto de cuecas nem de soutien. A cinquentona vê-me a vestir as calças brancas de malha e diz que não consegue andar sem cuecas. Eu, para não dar parte fraca, digo que é libertador. Visto a t-shirt, branca também, e senhora não tira os olhos de mim. Só enquanto penteava o cabelo é que reparei que se via tudo. Como só tinha um casaco tive de escolher qual zona podia disfarçar. Optei por disfarçar as mamas porque sabia que mal pusesse os pézinhos fora do complexo desportivo, o vento as ia deixar arrepiadas e a apontar ao Senhor.Estou a ponderar começar a tomar Memofante...

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Not in the mood

O que eu mais gosto nos domingos é não ter horas para nada. É acordar tarde, é andar de pijama o dia todo, é sentar-me ao sol com a cadela e tentar ensinar-lhe alguma coisa e depois mandá-la à merda por ser mais teimosa do que eu... coisas simples mas que me deixam feliz!
Mas depois há aquelas coisas/pessoas/frases que me tiram do sério. Frases como "Um dia tão lindo e tu em casa.. vai namorar!" despertam em mim respostas como "Ó tia ao domingo preciso de descanso. Já viu o que é ter um gajo 2ª, 4ª e 6ª e outro à 3ª, 5ª e ao sábado? uma gaja não aguenta e isto não rompe mas cansa-se."
E pronto! Ela fica lixada e eu lixada fico porque a aura de paz e felicidade fica arruinada.
E piora.. ó se piora! É ver um jogo do FCP em que o árbitro não saber ver uma linha e a aura não tem conserto possível. (E ver o FCP a jogar assim deixa-me mal disposta.Ponto.)

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Que se fuck!

A nutricionista disse que posso dar uma " facadinha" na dieta uma vez por semana de maneiras que nas últimas semanas tenho ponderado muito bem o que comer para ficar satisfeitinha da vida. Mas esta semana sei bem o que quero. Chama-se Läderach e é o melhor chocolate que já comi em toda a minha vida. O que tenho em casa, vindo directamente da Suiça, é de avelãs!!! Exactamente como este da foto :)

Foto retirada do FB da Läderach

Escola Primária

Tinha 5 anos quando entrei para a escola. Antes das aulas começarem, fui chamada a uma "reunião" com a professora e outras pessoas de cargos mais altos, na qual me pediram para escrever o nome, fazer uma cruz, um círculo e um quadrado. Na altura fiquei triste por me terem pedido só aquilo, queria mostrar tudo o que sabia o que, diga-se, era bem mais. Mas na semana seguinte lá estava eu toda contente na sentada no meu lugar. Só havia uma sala de aulas para as 4 classes, que tiveram, obrigatoriamente de ser agrupadas: a 2ª e a 4ª classe tinham aulas de manhã; a 1ª e a 3ª tinham aulas de tarde. Lembro-me de jogarmos às escondidas no campo de milho que havia apegado ao recreio e da professora tocar a sineta durante um bom bocado para os que estavam lá no fundo do campo ouvirem; lembro-me de me esfarrapar toda a jogar à bola com os da 4ª classe, bem maiores julgava eu; lembro-me de ir para casa da minha melhor amiga (e mais antiga porque 25 anos é uma vida) e esconder-me debaixo da cama dela enquanto ela mentia descaradamente à minha irmã dizendo que não me tinha visto desde que saímos da escola...

Esta semana é a primeira semana de aulas da minha sobrinha. Na semana passada dizia que depois da escola começar não ia ter tempo para brincar. Hoje vou buscá-la para jantar e saber as novidades...

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Como arruinar os sonhos de velhice de uma gaja!

"Se pensas que vais ser como a Tina Turner desengana-te! As velhas de olhos azuis são sempre horríveis".
Ouvir isto de uma amiga dói.

Vá "de metro" Satanás!

Ontem voltei aos relatos! Não me apetecia sair de casa e assim, confortavelmente acomodada no aconchego do lar, ouvi o relato do jogo do FCP. Depois de dois ou três princípios de AVC e de ter roído cinco ou seis unhas, o jogo lá acabou e lá trouxemos os três pontos de Viena. Mas durante o jogo a imagem do Vítor Pereira assombrou-me várias vezes, demasiadas eu diria. O raio do homem, do alto das Arábias, com o seu turbante e aquele sorriso matreiro não me saíam da cabeça... nem sei como não tive pesadelos!

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Será que sou adoptada?

Já aqui contei algumas histórias do meu passado familiar, nomeadamente as histórias de violência doméstica. Mas não era só as agressões que eu não percebia.. O facto de a minha mãe ter de pedir autorização ao meu pai para sair de casa, fosse ela ao médico ou a casa da minha avó, sempre me fez imensa confusão, assim como ela depender dele para todas as decisões. A minha mãe era o exemplo da mulher subjugada, que suportava tudo em prol da família, ainda que eu não percebesse esse conceito estranho de "família" que ela e o meu pai tinham. Com o tempo, percebi que era uma questão de mentalidades, percebi que eles estavam "formatados" para que assim fosse: ele mandava, ela obedecia. Nunca aceitei isto, tive grandes discussões ora com um ora com outro e nunca percebi porque discutia a minha mãe comigo quando a única coisa que eu queria era ajudá-la a libertar-se.
Anos mais tarde, vejo  isto a acontecer com a minha irmã. Quatro anos mais velha do que eu, viveu comigo todos os dramas familiares dos nosso pais e neste momento também ela se rege por regras retrógradas estipuladas pelo marido. Há muito que deixei de tentar ter algum tipo de relação com uma pessoa como ele, limitando-me ao cordial "bom dia" ou "boa tarde", isto depois de já lhe ter dito com todas as letras que à minha frente não trata a minha irmã como se fosse criada dele. E a verdade é que sofro com isto tudo, primeiro porque não posso fazer nada porque a vida é dela e, segundo, porque não quero que a minha sobrinha passe por nada semelhante ao que eu passei. E ainda que a minha irmã não seja vítima de violência doméstica (porque aí eu já podia agir), a verdade é que é vítima de violência psicológica e a miúda vai começar a perceber as coisas. Aliás, já percebe porque diz muitas vezes que "o papá não vai saber pois não tia?" ou "o papá depois ralha com a mamã"... E eu não percebo como é que a minha irmã aceita tudo isto e a questão da mentalidade ou da "formatação" já nem se coloca porque eu fui educada da mesma maneira que ela.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

O Marco Paulo é que percebia disto!!

"Empreendedor à procura de dois amores de meninas até 35 anos, com 1,70 m, sos, superelegantes, saudaveis, sem vicios e com carta conducao para uma relacao amorosa e projeto de vida a tres. Regiao Oeste. Por favor, mandem apresentacao com foto."


Depois de ver esta mensagem na Revista Maria, que, admito, abri para ler o diário íntimo porque me anima sempre, ainda que já me tivessem arruinado um sonho de vida ao dizerem que não se podia engravidar por darmos beijos à almofada.. mas adiante! Depois de ler esta mensagem estou seriamente tentada a responder... Tenho é um pequeno problema: tenho medo de ser rejeitada por causa da altura -  meço 1,72!! 

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Menina ou Senhora

Como é que se sabe quando se deve tratar alguém por menina ou por senhora?
Há algum sinal que os outros recebem mas que nós não sabemos que estamos a emitir?
Este fim de semana trataram-me quer por menina quer por senhora e isto deixa-me confusa, porra!! Numa loja de cosméticos, peço ajuda à funcionária e ela trata-me por menina. Depois, a caminho do cinema*, fui abordada por um daqueles gajos chatos dos bancos que nos pedem um minutinho quando passamos por eles no meio do shopping, que me tratou por senhora. No dia seguinte, ao lanchar com a minha mãe, o empregado de mesa volta a tratar-me por menina (que a minha mãe prontamente esclareceu que estou quase nos trinta).


*Fui ver o novo do Woody Allen.. Esperava tão mais do filme!!

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Cuecas descartáveis!!

Sinto-me uma esponja, a absorver conhecimento de todas as fontes de onde ele brota. E deparo-me com fontes cujo conhecimento é tal que me sinto pequenina perante tantos ensinamentos. Mas afinal o que é que aprendi? Ora vejamos:

Tens um encontro escaldante e não queres que o gajo te confunda com um ursinho bebé cujo pelo está em crescimento. Marcas a depilação no único tempinho livre que tens mas dali a pouco vais estar com o gajo e não queres ter as cuecas todas colantes  dos resquícios de cera. O que fazer? Pedir à esteticista umas cuecas descartáveis!!! A esteticista pode colar o que lhe apetecer que as tuas cuecas estão a salvo, penduradinhas no cabide ali mesmo por cima da tua cabeça!!!!


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Primeiro eu, depois eu e só depois os outros

Foi este o recado que a interna designada pela minha médica de família para me atender me deu: primeiro eu, depois eu e só depois os outros!!! Isto a propósito de eu lhe dizer que 2013 é o ano em que volto a tratar de mim e,claro, contar-lhe a minha história de vida dando ênfase ao historial clínico. 
Tendo em conta que  não aparecia no centro de saúde  desde 2009, a consulta foi demorada e agora tenho um batalhão de exames para fazer. Tirei as férias par tratar de mim e para fazer a revisão às máquinas! Nutricionista e ginecologia estão arrumados! Desde 22 de Maio que emagreci 9 quilos... A dieta custa, mas caraças é tão bom ouvirmos os elogios da nutricionista!!!!

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Eu quero que as famosas se vão lamber!!!

Diz que o exercício faz bem  ao corpo e à mente, à auto-estima e ao ego, ao stress e ao sistema nervoso. Resumindo, faz bem a tudo! Ontem voltei às lides do exercício físico e, batam-me já, decidi começar com uma aula de ginástica localizada. Ora a modos que depois de um mês e tal sem fazer a ponta de um corno no que toca ao exercício, e de ter mandado a dieta às urtigas nas férias, não foi uma boa ideia não senhora.

"Insistam, forcem os músculos!! As famosos fazem estes exercícios todos os dias" dizia a professora. E entre agachamentos, flexões e outros exercícios que não sei o nome lá fui fazendo as coisas da forma melhor forma possível, ou seja mal, até que comecei a pensar que tinha gelatina em vez de pernas porque tremia que só visto. E enquanto a professora continuava com frases bonitas como "Não querem um rabo como o das famosas?" ou "vá lá, é isto que as famosas fazem para estar em forma", eu só pensava "eu quero que as famosas se vão lamber!!"

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Eu queria muito.. mas não posso!!

Pensei em inscrever-me para a Casa dos Segredos. Diz que pagam por lá estar, dão comida e roupa lavada.. A parte de aturar gente mal formada que fala mal de tudo o que mexe e se acham os maiores do bairro deixava-me com o pé atrás, mas o que me fez mesmo desistir da ideia foi perceber que nunca teria sucesso. Senão vejamos:

1) nosso senhor jesus cristo não me abençoou com um corpinho de modelo nem com um par de mamas que mais parecem melões (será que não gosta de mim?);
2) não tenho silicone em parte alguma do corpo;
3) sei falar em condições (ok, não digo que não me saiam umas caralhadas com alguma frequência, mas pelos vistos as televisões lidam bem com isso)
4)  `sei algumas coisas de cultura geral ( que a África fica a sul de Portugal e coisas assim importantes)
5) não conheço nenhum famoso logo nunca tive um caso com nenhum (os que tenho na minha cabeça não contam)
6) tudo aquilo que poderia usar como segredo já foi usado: o trabalho infantil (o primeiro verão que trabalhei tinha 14 anos), já fui a outra sem saber (como não era famoso não tinha interesse)..

Vou concorrer ao "Quem quer ser milionário". Sempre passo por pessoa culta e vejo de perto o maior buraco de Portugal: a boca da Manuela Moura Guedes!!!

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Amizade

Em cinco anos de despedidas, não me habituo a ter de lhe dizer "até já"...  E se ontem chorei, hoje deu-me para a parvoíce e o resultado é este:


(Ler ou melhor cantar com a música do SOMOS NÓS, sim aquela da cerveja)

Nós somos a amizade, nós somos o amor...
Nós somos os sorrisos, a brisa e o calor!

Somos duas malucas que ninguém atura
Há vinte e cinco anos
E só crescemos em altura!

Nós somos a alegria
Nós somos maluqueira
Damos cabo da cabeça
De quem está à nossa beira

Nós somos duas crianças
Em corpo de mulher
Seremos sempre assim
Porque gosta quem quer!

E SOMOS NÓÓÓÓÓÓS!!

Conheço esta gaja há 25 anos.... Uma vida!!


terça-feira, 3 de setembro de 2013

Epá!

 Juntem o Bruma e o JJ numa conferência de imprensa e até o buraco do ozono pára de crescer!!!!
(Eu gaguejo, já o disse aqui, mas foda-se em compraração com estes dois, eu faço o que quero da língua!!!)



 Bruma rumou à Turquia para vestir a camisola do Galatasaray - Desporto - Notícias - RTP

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Algures no metro

A carruagem tinha pouca gente. Ela escolhe quase sempre o mesmo lugar, perto da porta e junto ao vidro. Ele entrou no metro já as portas estavam a fechar. Parou, respirou fundo e olhou em volta. Ela tirou o livro da mala, abriu-o no página onde estava o marcador e no momento em que levantou os olhos para ver as horas no painel exterior, o seu olhar ficou preso no olhar dele. Ele tinha muitos lugares à escolha, mas foi sentar-se ao lado dela sem nunca desviar o olhar daqueles olhos que o prendiam. Ela, envergonhada como sempre, desviou o olhar quando percebeu que ele se ia sentar ao lado dela e concentrou-se no livro que esperava pacientemente à sua frente. Ele sentou-se, pousou o saco no chão e recostou-se. Olhou para ela, mas ela não lhe devolveu o olhar.

Havia algo de errado com Dan Brown. O suspense não a fazia saltar linhas para ler o desfecho da cena e ela sabia porquê: aquele toque suave não a deixava concentrar-se. Já tinha lido e relido o que Rachel Sexton tinha descoberto, mas sentia o seu braço acariciado por aquele braço moreno e bem delineado e a história não a prendia. Ele interrogava-se se seria habitual vê-la no metro. Já não era a primeira vez que apanhava o metro àquela hora, mas nunca a tinha visto e, no entanto, tudo parecia indicar que ela estava realmente familiarizada com aquelas andanças.

Aos poucos o sono foi ficando mais forte até que não aguentou mais e sucumbiu. Acordou com a certeza de que estava a cair de um lugar muito alto, mas era falso alarme. Tinha inclinado o corpo demasiado para o lado, mas não houve queda alguma porque ela estava lá. Ele pediu desculpa. A concentração no livro era cada vez mais difícil, sentia-o a inclinar-se cada vez mais e quando ele acordou e olhou para ela muito atrapalhado ela sorriu. Meia hora depois, trocavam sorrisos de cada vez que ele acordava amparado por ela. Não trocaram uma palavra, apenas sorrisos.

Ela tocou-lhe ao de leve no ombro. Estava de pé. Ele não percebeu e ela, muito pacientemente, explicou que saía na próxima estação. Ele sorriu, puxou as pernas para o lado e disse "até amanhã". Ela agradeceu e sorriu. Encaminhou-se para a porta e esperou que as portas se abrissem.