sexta-feira, 5 de abril de 2013

Desabafo (enorme diga-se)

Quando comecei a falar com ele estava longe de imaginar o que iria acontecer. Tínhamos amigos em comum, mas nunca nos tínhamos cruzado e a empatia era tanta que, e isto pode parecer muito cliché, sentia que o conhecia há muito tempo. Não foi preciso nenhum amigo apresentar-nos. Mal nos vimos cumprimentámo-nos como se já fosse habitual e nessa noite despedimo-nos com um abraço apertado e demorado. Agora, à distância de um par de anos, apercebo-me que desde a primeira noite que as nossas despedidas eram demoradas e sempre com um abraço. "A melhor sensação do mundo" dizíamos muitas vezes em uníssono.
Não passou muito tempo até falarmos todos os dias, era como que uma necessidade, como se o dia não começasse a sério até falarmos um com o outro. Os lanches na tarde de sábado começaram a prolongar-se para jantares, os jantares acabavam num bar, a noite acabava num qualquer miradouro a ver o sol nascer. Começamos a contar as horas que passávamos juntos, armados em adolescentes. Quatro, seis, doze, dezasseis horas passavam a voar e prometemos um ao outro, mais do que uma vez, que acontecesse o que acontecesse que nunca iríamos deixar que nada estragasse a nossa amizade. Passaram meses até ao primeiro beijo e fiz os 54km de distância até casa com um sorriso parvo estampado nesta cara. No encontro a seguir, o primeiro 'baque': estava a dar um tempo com a namorada, queria acabar tudo mas era uma relação de muitos anos e "ela não está bem e ameaça atentar matar-se".
Agora, à distância mais uma vez, sei que devia ter-lhe dito para resolver tudo com ela antes de nos envolvermos mais, mas na altura  não consegui. Ainda tentei manter as coisas como estavam, mas não resisti, fui uma fraca. Continuamos a passar cada vez mais tempo juntos, a envolver-nos cada vez mais, a precisar um do outro cada vez mais. O primeiro fim de semana fora aconteceu no princípio do Verão. Em Setembro disse-me que não aguentava a pressão, que os pais dele e os pais dela queriam que ele voltasse para ela porque tantos anos de relação não podiam acabar assim, até porque havia o apartamento para pagar e que era dos dois e ela tinha tanto direito de morar lá como ele. Afinal já moravam juntos e quando se chatearam ela tinha ido para casa dos pais, soube-o nessa altura. Disse-me que precisava de pensar na vida e que ia passar a semana de férias que ainda tinha para longe, sozinho para pensar na vida. Em Outubro disse-me que tinha tido uma conversa séria com ela e que ela iria voltar a viver no apartamento, mas que seriam apenas duas pessoas a partilha casa. Mais uma oportunidade para eu me afastar como qualquer pessoa normal faria, mas não. Quis manter a promessa de que acontecesse o que acontecesse nunca iríamos estragar a nossa amizade.
Continuava a sair comigo e com as minhas amigas e continuávamos a falar todos os dias. Na passagem de ano, disse-me que ia ser pai, que não era a melhor altura para isso acontecer, mas que não podia fazer nada.
Em Janeiro o meu pai morreu. Sentia-me sozinha e precisava das pessoas que me faziam bem perto de mim.
Em Fevereiro, o meu FCP jogava em Braga e convidou-me para o jogo. Fomos os três: eu e o casal. Não vi nela nada da pessoa mal formada e desequilibrada que ele tinha descrito. E vim o caminha todo até casa a pensar que eu devia estar maluca quando pensei que conseguia ser amiga dela como era amiga das namoradas dos meus amigos. Em Março ele deixou de falar comigo, sem me explicar porquê, sem me dar uma única justificação. Cortou relações comigo pura e simplesmente.Voltamos a falar no fim do ano, mas já não era como antes e isso magoava-me.

Isto aconteceu em 2010 e 2011. Em 2012 descobri que a tal semana de férias sozinho, afinal foi passada com ela. As fotos publicadas no facebook dois anos depois, mostram um casal feliz e aí caiu-me a ficha: eu tinha sido a outra! Fiquei com raiva, principalmente de mim mesma: durante aquele tempo todo acreditei que ele tinha voltado para ela porque era um fraco, que tinha cedido à pressão da família e não tinha tomates para virar costas a tudo e ficar comigo. Mas não, ele tinha tido de mim exactamente o que queria: um caso!

Quando o chamei de mentiroso, disse que não valia a pena falar do assunto porque já se tinha passado muito tempo. Bloqueou-me do facebook e escreveu um post a dizer que há pessoas pelas quais não vale a pena lutar. Disse à minha melhor amiga que nunca me fez mal nenhum e que eu nunca me preocupei com ele e que se me dizia tão amiga dele devia ter-me preocupado em conhecer o filho dele. Isto quando eu lhe ligava e ele não atendia, quando lhe mandava sms e ele não respondia, quando falava com ele no chat do facebook e ele não me respondia.
A partir daqui sim, tomei a atitude correcta: afastar-me completamente. Quando viu que não tinha feito nada, que não tinha mandado sms ou implorado para voltar a falar comigo, enviou-me um pedido de amizade outra vez. Não aceitei. Não sei nada dele e de há uns tempos para cá sinto-me bem comigo mesma. O amor, a amizade e o respeito não se forçam e eu ganhei tudo isto por mim mesma. Custou mas foi!


(só vi agora no tamanho deste desabafo. Ufa!!) 

14 comentários:

  1. Às vezes sabe bem desabafar. E, claro, não somos ninguém para te julgar. Não te martirizes! Ainda bem que viraste a páginas e que, agora, te sentes bem contigo mesma. Bola p'ra frente miuda! :)

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  2. De certa forma entendo-te. Observarmos as situações pelas quais passamos mas à distância faz-nos logo ter outra visão. O amor faz-nos ficar assim. :)

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    1. Faz-nos ficar meias parvas e com o discernimento atrofiado lol :)

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  3. Não sei o que te deu para escrever hoje este post (vá, eu não sou cusca, nem quero saber :$), mas vou-te dizer uma coisa: não escolheste o melhor dia :/

    enfim...

    Olha, beijinhos, sim? xD

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    1. hum... já andava para o escrever há uns dias, mas não o fiz por falta de tempo! Isso do melhor dia... se precisares de alguma coisa é só dizeres sim? :) ***

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  4. Ainda bem que tiveste força para terminar uma cisa que não te fazia bem.
    Desejo-te as maiores felicidades, e espero que encontres alguém que realmente te mereça.
    Beijinhos

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    1. A minha tendência masoquista emigrou :) Obrigada pelas palavras! Beijinhos

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  5. Minha querida. Já passei por uma situação dessas. Mas nesse caso eu fui a namorada oficial dos longos anos. A que mal soube da existência do caso cortou relações e, até hoje, nunca mais falou com ele. Foi o melhor que me aconteceu, pois conheci o meu marido e já lá vão dez anos. Pior do que tu está ela. Porque vive com a pessoa que a traíu...Gente assim não vale a pena!

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    1. Pelo que sei, eu não fui a única "outra".. Fui uma burra do tamanho do mundo por ter insistido tanto numa amizade que nunca foi sincera mas aprendo com os erros!

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  6. E fizeste tu muito bem. Pessoas assim não valem a pena, pessoas assim não têm valor, são fracas e nunca serão feliz pois vivem rodeadas de enganos e mentiras. Tu mereces BEM MELHOR!
    beijocas

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    1. Pessoas assim nunca serão felizes e eu quero é ser muito, excentricamente e extrapoladamente feliz :D
      Beijocassss **

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  7. Para a frente é que é o caminho. Mereces mais e melhor, e pessoas assim como ele dificilmente serão realmente felizes ;)
    Beijinho :)

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    1. Demorei a perceber isso, mas já percebi lol E já levantei a cabeça e deixei de ter pena de mim. Para a frente mesmo :) **

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