segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Hey, little troublemaker.

Este fim de semana fui ao cinema ver Django. Que brutalidade de filme.. Meu Deus!
Valeu a pena estar desde as 21h à espera da sessão da meia-noite, sem margem para dúvida.
Vou apenas falar de uma ideia do filme (as críticas deixo-as para quem percebe muito mais de cinema do que eu): o preconceito.
Julgar as pessoas pela cor da pele, pela religião ou por outra coisa qualquer é do mais reles que há. E dói, dói muito mesmo,  pensarmos que somos inferiores ou que não somos 'normais' só porque não somos exactamente iguais às outras pessoas.
Falo por experiência própria, que lidei, e continuo a lidar, com a minha diferença: a gaguez!
(Eva Maria querias saber mais de mim não era? Pois este é o meu lado mais frágil.)

As crianças são a melhor coisa do mundo, mas conseguem ser muito cruéis de tão sinceras que são. Por isso, na escola era quase todos os dias gozada por "não falar direito". E se na infância era complicado, na adolescência a coisa assumiu maiores dimensões, chegando ao ponto de pura e simplesmente não falar para não gozarem comigo. Quando entrei para a faculdade, pensava que tudo ia mudar, afinal iria lidar com pessoas adultas. Não podia estar mais enganada. Foi tão ou mais difícil do que no secundário com a pergunta "porquê que vieste para jornalismo?" a pairar sobre mim. Cheguei a pensar mudar de curso, não o fiz. A psicóloga tinha-me dito que era tudo uma questão de auto-estima, que se eu acreditasse em mim que as coisas corriam bem, e se as coisas corressem bem ia gaguejar menos. Ou seja, um círculo vicioso. Eu só tinha de entrar no círculo.
Tenho perfeita noção de que nem todas as pessoas se riem dos outros, mas quando conheço alguém nunca sei o que me pode calhar na rifa por isso fico sempre com um certo receio. É esse o  meu maior problema: sou eu, muitas vezes, que crio o preconceito na minha cabeça. Aos poucos isto tem vindo a mudar, ando a recuperar a minha auto estima e, muitas vezes, as pessoas nem se apercebem que gaguejo. Mas eu nunca esqueço que o preconceito existe.

7 comentários:

  1. Ena pa... Isto é que foi uma surpresa... Tu, Neverzinha, gaga? Ok, ok... a escrever não se gagueja, mas ainda assim foi uma surpresa; mais ainda a tua fraca auto estima... Não era a ideia que tinha de ti, mas não muda nem uma virgula, de que te acho 'bóédá' fixe :D

    (eu namorei com um rapazinho gago; dei por mim, muitas vezes, a gaguejar também sem me aperceber. Foi uma boa fase :$)

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    1. Pois é, a escrever não gaguejo e por isso é que sempre tive boas notas! Nunca fui a uma oral ehehe :) este é só um lado de mim.. se os juntares todos, a divertida, a sorridente, a teimosa, a dorminhoca, a sonhadora.... tens-me a mim :) eheh

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    2. Oh, acho que tenho que ir desintoxicar a minha mente... xD
      Eu cá gosto dessas tuas coisas todas :p

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  2. Tu não transpareces em nada essa suposta fraca auto-estima. Vê lá se te deixas de parvoíces e entras no círculo. E se não entrares, levas um empurrão do catano que entras mesmo sem querer. Oubistes?! lol
    Mas sim, as pessoas são cruéis.
    Beijocas e boa semana!

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    1. Adoro quando és assim bruta comigo :P
      Estou a entrar no círculo, cada vez mais acredita :)

      Beijocaaa**

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  3. Minha e-rmana temos tanto em comum que estou a ponderar seriamente planear uma visita para te conhecer em pessoa! É tão giro encontrarmos ao longo da nossa vida pessoas que vibram na mesma frequencia que nos e que nos sao tao semelhantes. Parece que serve para nos abrir os olhos, para nos mostrar que nao estamos sozinhas, que no mundo alguem se sentiu como nós naquele preciso momento. Ora eu fui aquela que foi martirizada e apelidada de todos os nomes das sub-espécies de cetáceos.. desde baleia, a orca... a outras coisas cresci assim. E o pior é que não eram só as crianças.. quando tens um pai que to diz na cara com o maior desprezo do mundo começas a pensar se nao serás tu que estás mal... e assim começou a minha anorexia nervosa que quase me levou à cova... mas enfim, um dia dedico um texto a esse problema. Pode ser que consiga ensinar alguma coisa às pessoas que entraram no círculo, mas que, ao contrário de mim, não conseguiram sair.
    Um beijo caloroso directo no coração!

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    1. Bem, as coisas que temos em comum são realmente muitas :) Ainda que neste caso gostava muito que nenhuma de nós tivesse passado por estas coisas parvas e que nos magoam e que nos marcam para a vida. É impressionante o que a nossa mente consegue guardar não é? E tu és uma guerreira carago.. Anorexia nervosa não é brincadeira nenhuma e tu conseguiste vencer :) Admiro a tua força!!!

      Essa visita é uma óptima ideia, temos de tratar disso :)
      Beijo grande *

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